domingo, 7 de agosto de 2016

A CONSULTA DE ASTROLOGIA PSICOLÓGICA



Abordagem Transpessoal com foco na pessoa (consulente) e no momento presente.

Como se preparar para a leitura do mapa?

Dos motivos mais importantes, estão a abertura, o ser receptivo aos assuntos profundos tratados e apontados com o uso do mapa natal, e ao mesmo tempo ter um posicionamento adequado frente ao seu próprio processo terapêutico.

No caso de a pessoa nunca ter se submetido a um processo terapêutico, ou estar muito emocionalizada, a consulta pode ficar comprometida, no primeiro caso pela falta de comprometimento e no segundo pela necessidade de equilíbrio emocional e de concentração mental. No entanto no primeiro caso depende muito de pessoa para pessoa e da receptividade adequada frente aos conteúdos profundos apresentados, que exigem participação e disponibilidade, responsabilidade com sua história de vida e aceitação do que será apresentado, desafios e informações psicológicas importantes.

Ao se aprofundar através de uma leitura do mapa astrológico, a pessoa pode sentir a necessidade de iniciar uma terapia para clarear algumas questões para si mesma, sendo que as informações do mapa podem ajudar muito no aproveitamento geral de qualquer trabalho terapêutico de autoconhecimento. São muitas informações profundas e íntimas que estão contidas no mapa astrológico, e há que se ter um certo preparo e disponibilidade para iniciar essa jornada de autoconhecimento através da Astrologia.

Muitas pessoas procuram a consulta de Astrologia com uma ideia formada a respeito, baseadas no que já ouviram sobre o assunto, de outras pessoas e das informações disponíveis no meio. No entanto a consulta pode variar enormemente de um profissional para outro e de pessoa para pessoa, então “os recortes que fazemos” ao ouvir o que é uma leitura do mapa natal acabam por influenciar o resultado que esperamos da consulta e o andamento da mesma.

Atitude Mental e Postura Adequada Frente ao Processo

Deve-se tentar deixar para trás todas as lembranças do passado - o que aconteceu em suas auto explorações anterio­res com outras técnicas ou em sessões precedentes de outras terapias e estudos sobre o seu próprio mapa natal, o que ouviram falar sobre o que é uma consulta astrológica e o que aconteceu com eles mais cedo no mesmo dia ou no passado remoto.

De um modo similar, deve-se abandonar expectativas sobre o futuro, e, particularmente, qualquer programa que envolva a própria sessão. Especificamente desencorajo as pessoas a ir para a sessão com ideias concretas de que problemas gostariam de trabalhar, que experiências gostariam de ter, como a experiência deveria ser, ou o que gostariam de evitar.

A melhor atitude parece ser um profundo interesse humano no próprio processo de autoconhecimento, e confiança na sabedoria e no potencial espontâneo de cura da psique, e no que surgir de material psicológico na sessão, sempre combinando algum grau de desapego e abertura.

Então devemos ter em mente algumas coisas importantes. O mapa astrológico como ferramenta de interação terapêutica, possibilita uma forma de relação terapêutica que é palco para a manifestação de insights e clareamento de conteúdos psicológicos e arquetípicos.

Na astrologia psicológica a leitura acontece na relação, através do “contato” terapêutico, e na qualidade da comunicação entre o consulente e o terapeuta. A visão antiga da consulta astrológica mudou muito com o passar dos anos, na medida em que psicólogos foram se apropriando da astrologia para uso clínico em seus consultórios.

O que antes era de caráter informativo e preditivo onde o astrólogo despejava o “seu saber” sobre o consulente, hoje se dá através da relação terapêutica, “numa construção que acontece na interação”, no momento presente entre o astrólogo e o consulente.

O protagonista da história sempre é o consulente.

A abordagem é da astrologia psicológica com base transpessoal, e se dá por meio da construção do conhecimento e da percepção disponível para o consulente, e nunca por meio da imposição de sistemas psicológicos rígidos sobre o mesmo.

O respeito pelas capacidades e a liberdade de escolha do consulente são a tônica do processo de interpretação do mapa natal.

A consciência que temos sobre nosso processo determina o aproveitamento da leitura, por isso uma abordagem psicológica visa sempre o empoderamento, a clareza sobre os assuntos apontados na consulta e uma tomada de consciência que promova a criatividade frente aos desafios de vida e no uso dos dons disponíveis ao consulente.

Como se preparar para a consulta?

O protagonista da história é o consulente, no entanto quem conduz a consulta é o astrólogo, que conhece o simbolismo e que sugere um caminho de compreensão e de tomada de consciência. É necessário haver uma comunicação receptiva e participativa, com espaços para perguntas, momentos de ouvir e momentos de falar.

Saber ouvir é muito importante, e deixar a condução da consulta para o terapeuta, não interrompendo a consulta com informações desnecessárias, e confiar no desenvolvimento da mesma.

Eu não gravo a consulta, mas deixo livre para quem quiser gravar, fazer anotações, sabendo que é importantíssimo não se fixar em “verdades astrológicas”, mas sim tomar consciência, internalizar e procurar entender e desenvolver os assuntos tratados.

A consulta deve ser aproveitada com o devido timing para ouvir e participar, deixando as dúvidas para o final da consulta.

Abaixo nesta página o consulente deverá copiar e imprimir o texto:

 “Texto de preparação para a Consulta de Astrologia – Estrutura do mapa natal, simbolismo e informações básicas. Trazer no dia da consulta, estudado e com anotações, dúvidas, etc. - Ensaio de Richard Tarnas.”

Eu realizo a leitura do mapa em 4 sessões de terapia de 1:30h com mais tempo para elaborar os conteúdos psicológicos e os estudos simbólicos e teóricos. A pessoa receberá textos para ler antes de cada encontro presencial, terminados os estudos, em seguida marcamos o dia e efetivamos a consulta propriamente dita. Eu prefiro realizar a consulta dessa forma, rende e aprofunda muito mais.

A consulta é feita num dia combinado após a confirmação e o agendamento com o pagamento integral e antecipado da primeira sessão.

Sobre a confirmação, pagamento e envio de dados pessoais:

O contratante (consulente) deve confirmar o interesse na consulta de astrologia psicológica e enviar os dados pessoais (para o e-mail: tresjoias@gmail.com junto ao comprovante do depósito). Assim dou início aos estudos e combinamos uma data para a realização da consulta que acontece mais ou menos em 15 dias após a confirmação, dependendo da agenda, podendo chegar a 30 dias após a confirmação.

O pagamento deve ser feito integralmente sendo que o valor da consulta não será devolvido no caso de desistência. Levo um tempo para elaborar o estudo e a apresentação, e isso requer concentração e dedicação, então este valor é considerado uma garantia para o trabalho que será dado como realizado.

Sobre os dados necessários para a consulta:

Nome completo, data de nascimento, cidade e hora (como consta na certidão, mesmo com horário de verão). No caso de não saber a hora exata ou aproximada, favor entrar em contato previamente.

Valores:

Para consulta de 4 sessões de 1:30h R$ 280,00 (cada sessão)

Local: Rua Cônego Bernardo, Ed. Meridian Office, 101. Sala 804 
Trindade, Florianópolis - SC

Heráclito.
Cel: 48 98413-2488 (whatsapp)


Paramahansa Yogananda, um dos primeiros mestres indianos a expor suas idéias no ocidente, diz acerca da astrologia que, uma criança nasce num dia e numa hora em que os raios celestes estão em harmonia matemática com o seu karma individual.

Vídeo - A Espiral Aborígene, Proporção Áurea (Platão), Hinduísmo e Teoria Fractal.
As bases do pensamento astrológico e da teoria sistêmica.



Astrologia e Psicologia Transpessoal

Poseidon - Museu do Louvre
A astrologia é uma antiga arte e ciência que teve origem provavelmente já no terceiro milênio a. C., na mesopotâmia, de onde se expandiu para a Índia e a Grécia. Ela tem como base a doutrina da harmonia universal. Seu princípio fundamental, expresso na frase “assim como está em cima está embaixo”, é o pressuposto de que o microcosmo da psique humana reflete o macrocosmo e de que os acontecimentos terrestres espelham os acontecimentos celestes. Na Grécia helênica, os astrólogos refinaram os cálculos astronômicos e determinaram divindades mitológicas específicas para os diferentes planetas, refletindo as associações mitológicas já estabelecidas pelos babilônios. Eles então usaram este sistema para prever os acontecimentos coletivos, assim como aqueles das vidas dos indivíduos.

A compreensão dos significados dos planetas, suas posições e aspectos geométricos e suas influências específicas sobre os assuntos humanos foram pela primeira vez reunidos em uma síntese unificada na astrologia de Ptolomeu, que foi também o maior sistematizador da astronomia antiga. Nos séculos subsequentes, várias gerações de astrólogos expandiram, revisaram e refinaram o sistema de Ptolomeu. Em sua forma grega, completamente desenvolvida, a astrologia influenciou, durante quase dois mil anos, a religião, a filosofia e a ciência da Europa pagã e posteriormente cristã. Os astrólogos modernos, utilizando os avanços astronômicos possibilitados pela invenção do telescópio, agregaram ao sistema antigo os três planetas externos, Urano, Netuno e Plutão, que não eram conhecidos pelos antigos, e estudaram e descreveram seus significados arquetípicos.

A ciência ocidental retrata o universo como um sistema mecânico impessoal e largamente inanimado, uma supermáquina que criou a si mesma e que é governada por leis naturais mecânicas. Neste contexto, a vida, a consciência e a inteligência são vistas como produtos mais ou menos acidentais da matéria. Em contraste, o pressuposto básico da astrologia é o de que o cosmos é uma criação da inteligência superior, é baseado em uma ordem inconcebivelmente mais profunda e intrincada, e reflete um propósito superior.

A perspectiva astrológica reflete rigorosamente o significado original da palavra grega kosmos, que descreve o mundo como um sistema inteligivelmente ordenado, configurado e coerentemente interconectado com a humanidade como uma parte integral do todo. Nesta visão, a vida humana não é o resultado de forças fortuitas regidas pelo acaso caprichoso, mas segue uma trajetória inteligível que está em sintonia com os movimentos dos corpos celestes e que assim pode ser intuída ao menos parcialmente.

O pensamento astrológico pressupõe a existência de arquétipos, princípios primordiais intemporais que fundamentam, informam e formam a estrutura do mundo material. A tendência para interpretar o mundo nos termos dos princípios arquetípicos surgiu inicialmente na Grécia antiga e foi uma das características mais notáveis da filosofia e da cultura gregas. Os arquétipos podem ser vistos através de várias perspectivas diferentes. Nas epopeias homéricas, eles tomaram a forma de figuras mitológicas personificadas, como divindades, tais como Zeus, Posseidon, Hera, Afrodite ou Ares. Na filosofia de Platão, foram descritos como princípios metafísicos puros, as Idéias ou Formas transcendentes. Eles possuíam sua própria existência independente em um reino inacessível aos sentidos humanos normais. Nos tempos atuais, C. G. Jung trouxe o conceito de arquétipo para a psicologia moderna, descrevendo-os principalmente como princípios psicológicos (Jung, 1959).

As conexões reveladas pela astrologia são tão complexas, intrincadas, criativas e altamente imaginativas que não deixam qualquer dúvida de sua origem divina. Elas fornecem provas convincentes de que há uma profunda ordem significativa subjacente à criação e uma inteligência cósmica superior que a engendrou. Isso levanta uma questão muito interessante: existe uma visão de mundo abrangente que poderia acomodar a astrologia e assimilar suas descobertas? Através dos anos, e não sem muito esforço e tribulações, cheguei à conclusão de que há uma visão de mundo que pode absorver e explicar minhas experiências e observações da pesquisa da consciência, assim como abranger a astrologia. Contudo, ela difere diametralmente do sistema de crença que domina a moderna civilização ocidental.

Descrevi essa visão de mundo em meu livro O jogo cósmico: explorações das fronteiras da consciência humana (Grof, 1998) e apresentei-a também, de forma condensada, em um capítulo anterior deste livro. Essa visão da realidade é baseada em experiências e insights de estados holotrópicos* e retrata o universo não como um sistema material, mas como um infinitamente complexo jogo da Consciência Absoluta. Antigas escrituras hindus descrevem uma semelhante visão do cosmo, referindo-se aos eventos nos mundos dos fenômenos como lila, o jogo divino. Tentei mostrar, em minhas publicações, que essa forma de ver o universo está se tornando cada vez mais compatível com vários revolucionários avanços do novo paradigma científico (Grof, 1985, 1998).

Se o cosmo é criação da inteligência superior e não uma supermáquina que criou a si mesma, então fica mais facilmente plausível que a astrologia pode ser uma de várias ordens distintas incorporadas na textura universal. Ela poderia ser vista como um complemento útil ao campo da ciência ao invés de uma inconciliável rival da visão científica do mundo. A abertura conceitual para essa possibilidade tornaria factível a utilização do grande potencial que a astrologia contém como ferramenta clínica e de pesquisa para a psiquiatria, a psicologia e a psicoterapia, assim como para várias outras disciplinas.

Texto extraído e adaptado do capítulo 9. Psique e cosmo, do livro “Psicologia do Futuro” de Stanislav Grof. Ed. Heresis - Transpessoal.

* Estados Holotrópicos

O que são estados holotrópicos de consciência. Vídeo com Grof criador do termo.

O que são os estados holotrópicos? Stanislav Grof Vídeo (subtítulos em espanhol) clicar em legenda, abaixo a direita.

Vídeo (em inglês). Vídeo curto. Astrologia e psicologia transpessoal Grof.

Vídeo (em inglês). Vídeo 40 min. Cosmos and Psyche - Richard Tarnas, professor, psicólogo e filósofo, pesquisador pioneiro no estudo de astrologia e psicologia.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

TEXTO DE PREPARAÇÃO PARA A CONSULTA DE ASTROLOGIA.


A ESTRUTURA DO MAPA NATAL, SIMBOLISMO E INFORMAÇÕES BÁSICAS.

Trazer no dia da consulta, estudado e com anotações para tirar dúvidas.

Ensaio de Richard Tarnas e Stanislav Grof

Uma preparação do cliente para a leitura astrológica do mapa natal, um ensaio de Richard Tarnas. Um breve esboço de conceitos astrológicos básicos, você deve copiar esse texto, imprimi-lo, estudar bem e trazer na consulta no dia agendado (esse é um pré-requisito básico). 

O sistema básico de referência usado no trabalho astrológico envolve relações angulares mútuas (aspectos) entre o Sol, a Lua e oito planetas no horóscopo natal. A astrologia de trânsitos estuda as relações angulares entre as posições natais dos mesmos dez corpos e suas posições em qualquer momento específico (trânsitos). Além disso, as relações entre os planetas e um sistema de coordenadas que envolve o eixo ascendente-descendente e o eixo zênite-nadir representam um papel de grande importância na astrologia.

Estamos então falando sobre uma estrutura conceitual e um sistema referencial de considerável complexidade. Não é possível fazer justiça a este fascinante tema e expô-lo de forma completa no contexto de um pequeno ensaio. Além disso, presumo que muitos dos leitores só tenham um conhecimento superficial de astrologia e outros nenhum. Sendo assim, esta tarefa terá que ficar reservada para uma futura publicação, dedicada especificamente a este tópico, que espero escrever no futuro juntamente com Richard Tarnas.

O mapa natal, ou horóscopo, é uma imagem bidimensional da configuração do céu na hora em que a pessoa nasce. É um círculo dividido por uma linha horizontal e um eixo vertical em quatro quadrantes. Essa circunferência é subdividida em 360 graus com 12 segmentos de 30 graus, cada qual designado para um dos doze signos do zodíaco. Este é o fundo geral sobre o qual o horóscopo mostra as posições dos planetas e as relações angulares entre eles na hora do nascimento.

Os planetas representam os princípios ou forças arquetípicas básicas e suas relações angulares, ou aspectos, refletem a interação entre estes arquétipos. Na astrologia há dez planetas, já que este termo é usado também para o Sol e a Lua. Isto é compatível com o significado original da palavra grega planetes, que significa ‘peregrino’, i.e., um corpo celeste que tem sua trajetória autônoma e não acompanha o movimento geral dos céus. Como os planetas, os signos astrológicos são conectados com energias arquetípicas específicas.

Os quatro pontos onde as coordenadas se conectam com a circunferência têm um significado especial. Eles são denominados ascendente, descendentemeio do céu ouzênite e nadir. O planeta que está ascendendo logo acima do horizonte na hora do nascimento apareceria perto do ascendente no mapa, um planeta bem acima da cabeça fica posicionado no meio do céu e um que esteja se pondo fica marcado no descendente. O planeta localizado na parte de baixo do mapa estaria embaixo dos nossos pés, na parte invisível do céu. Se, no nascimento de um indivíduo, um planeta estiver localizado em um orbe próximo a estes quatro lugares, o arquétipo correspondente tende a ter uma influência particularmente forte sobre a vida desta pessoa.

Farei uma breve revisão das características dos arquétipos associados aos planetas individuais e suas energias específicas, começando pelos dois astros, o Sol e a Lua.

Sol representa o princípio central de energia vital e identidade pessoal, o cerne da personalidade, ou o ser consciente. Ele também rege a vontade pessoal e a tendência para se expressar como indivíduo autônomo. A energia arquetípica do Sol é de natureza masculina, ou yang, e o Sol tende a refletir figuras masculinas significativas na vida da pessoa. Os arquétipos de quaisquer planetas que formem aspectos significativos como o Sol terão uma influência particularmente forte sobre a vida e o caráter daquela pessoa.

Em contraste, a Lua reflete aquelas partes da pessoa que ficam escondidas do ego consciente e do ser psicossomático. Ela está intimamente relacionada com reações instintivas e emocionais da personalidade e com aspectos da psique dos quais não temos consciência. Este arquétipo demonstra uma associação com o princípio feminino, ou yin, com o relacionamento inicial de mãe e filho ou filha e com a infância, com as figuras femininas importantes na vida da pessoa, com o lar e a herança ancestral. Os arquétipos dos planetas que formam aspectos importantes com a Lua tendem a ser especialmente significativos na vida da pessoa: eles se manifestarão nas partes da vida da pessoa que são regidas pela Lua.

O arquétipo de Mercúrio representa o intelecto, a razão ou o Logos. Ele governa as atividades mentais, a capacidade de perceber e aprender, de conceituar e articular ideias e de usar as palavras e a linguagem. Também está ligado a habilidade de se locomover, transportar, fazer contato com outras pessoas, conectar-se com elas e comunicar ideias. Os aspectos importantes entre Mercúrio e outros planetas refletem a forma com que se recebe e transmite informações, a natureza do funcionamento intelectual da pessoa e o foco de sua educação. A expressão mitológica deste arquétipo é o deus grego Hermes (o Mercúrio dos romanos), o mensageiro dos deuses.

O arquétipo de Vênus está, acima de tudo, associado ao princípio do amor ou Eros. Ele encontra sua expressão no aspecto yin da sensualidade e da sexualidade, no desejo por romance, parceria e relacionamentos sociais e no processo de atrair e ser atraído pelos outros. Vênus também rege a sensibilidade estética e sua expressão em atividades artísticas, assim como a busca da harmonia. Os aspectos importantes conectando Vênus com outros planetas mostram correlações significativas com a capacidade de dar e receber afeto e amor, com a natureza das nossas interações sociais e particularmente com envolvimentos amorosos, com interesses artísticos, talentos, impulsos e a capacidade de expressão. Este arquétipo encontra sua expressão mitológica na figura grega de Afrodite, a Vênus romana, a deusa do amor e da beleza.

O arquétipo de Marte representa o princípio de energia dinâmica, do impulso de iniciativa e ímpeto. No reino material, está associado às forças da natureza e tecnologia, guerras e outros eventos de poder e violência, vitalidade e proeza atlética, assim como com o aspecto yang da sexualidade. Na psique, ele governa ambição, assertividade, competitividade, coragem, raiva e violência. Aspectos importantes ou trânsitos envolvendo Marte tendem a coincidir com comportamento assertivo e agressivo, conflitos e confrontos, e também com uma disposição impulsiva e ferina. Na mitologia Marte, o Ares grego, é o deus da guerra.

Júpiter é o arquétipo associado a crescimento, expansão, sucesso, felicidade e boa sorte. Ele governa a tendência ao otimismo, experiência de abundância, busca do que é melhor ou mais elevado, generosidade e magnanimidade. Além disso, está ligado à mente liberal e aberta, perspectivas de longo alcance, padrões morais elevados e ideais filosóficos, riqueza intelectual e amplitude cultural. Por causa destas características, Júpiter muitas vezes é chamado de Grande Benéfico. Seu lado sombra é indulgência exagerada, autoimagem inflada, excentricidade, extravagâncias e excessos de todos os tipos. Júpiter (o Zeus grego) é a mais alta divindade do panteão romano e rei dos deuses do Olimpo.

O arquétipo planetário de Saturno é, de várias formas, a polaridade oposta a Júpiter. Muitas vezes chamado de Grande Maléfico, Saturno, em seu aspecto negativo, representa restrição, limitação, escassez, déficit, fome, opressão, repressão, inferioridade, culpa e depressão. Mitologicamente, Saturno é uma divindade romana geralmente identificado com o deus grego Cronos – ele é então associado à transitoriedade, envelhecimento, morte, fim das coisas, Pai, Tempo e ao Ceifador Imperioso.

Contudo, o arquétipo de Saturno também tem uma importante função positiva: a de um princípio essencial para fundamentar nossa existência diária, já que governa a estrutura, a realidade material das coisas, a ordem e a sequência linear dos acontecimentos. Em relação ao processo de nascimento biológico (e ao processo de morte-renascimento psicoespiritual), ele representa o estágio em que as contrações uterinas comprimem o bebê periodicamente, mas o colo do útero ainda está fechado e assim parece não haver solução ou saída.

Na vida pessoal, Saturno representa confiabilidade, resistência, maturidade, responsabilidade e fidelidade. Também é o princípio que nos confronta com as consequências de nossas ações nesta vida, assim como em encarnações anteriores, e representa o elemento de superego, lei moral, consciência e julgamento. Os principais aspectos de Saturno sugerem desafios cruciais que encontraremos na vida, mas também definem o trabalho que temos de cumprir no mundo e oferecem importantes oportunidades de crescimento. É típico dos trânsitos envolvendo Saturno marcar períodos decisivos de desenvolvimento na vida e tempos de ‘trabalho árduo’. Eles trazem provações e atribulações pessoais difíceis, mas também forjam estruturas duradouras e levam a conclusões importantes.

Comparado a outros planetas, de Marte até Saturno, o arquétipo associado com o planeta Urano não mostra uma correspondência forte com o deus grego Urano (Céu), que odiava seus filhos e foi castrado por Cronos a pedido de Gaia. Conforme foi convincentemente demonstrado por Richard Tarnas (1995), as propriedades do arquétipo planetário Urano podem ser melhor compreendidas em termos da figura mitológica de Prometeu, o Titã que roubou o fogo dos céus para dar maior liberdade à humanidade.

Urano representa o princípio de surpresa repentina, rebelião contra o status quo,atividade revolucionária, libertação, despertar espiritual e avanços emocionais e intelectuais. Além disso, governa o colapso repentino de estruturas estabelecidas, individualismo e originalidade, insight revolucionário, genialidade criativa, invenções e tecnologia. Em relação ao processo de nascimento biológico, Urano tem uma conexão mais próxima com o estágio final do parto, no qual o desconforto e as pressões culminam e alcançam resolução em uma liberação explosiva.

O lado sombra do arquétipo de Urano (Prometeu) se expressa na anarquia, excentricidade infrutífera e na rebelião (acting out) indiscriminada contra limites e leis de qualquer tipo. Nas pessoas que carecem de perspicácia psicológica e espiritual e que tentam resistir ao seu impacto arquetípico, ele também pode ser associado a mudanças que desestruturam a vida e nas quais a pessoa é uma vítima passiva e indefesa, ao invés de um entusiástico agente de mudanças. Quando Urano está em aspecto significativo com outro planeta, ele tende a liberar seu arquétipo planetário com total expressão, muitas vezes de forma repentina, inesperada, incomum, surpreendente e excitante.

O arquétipo de Netuno está relacionado à dissolução dos limites – entre o seu próprio self (ser) e os outros, o self e a natureza, o self e o universo, entre o mundo material e outras realidades, entre o self e Deus. É o arquétipo da união mística, da consciência cósmica, dos reinos imaginários e espirituais. Contudo, a dissolução dos limites não significa necessariamente transcendência. O lado sombra de Netuno o conecta com falta de enraizamento, fuga da realidade diária para a fantasia, autoengano, ilusão, delusão, distorção psicótica da realidade e com a confusão do alcoólatra e do drogadicto.

Netuno encontra sua expressão na bem-aventurança transcendental do místico, mas também no teatro divino de maya que nos mantém presos no mundo de samsara. Ele pode se manifestar na clareza suprema da experiência mística assim como na confusão da psicose. Ele subjaz à abnegação do santo e do iogue, mas pode levar à perda de individualidade que resulta em desorientação e desamparo.

Netuno é o arquétipo dos sonhos e aspirações idealistas, cura física e psicológica, anseio espiritual, intuição elevada, percepção extra-sensorial e imaginação criativa. Quando um planeta faz um aspecto importante com Netuno, seu arquétipo tende a ficar enfraquecido, idealizado ou espiritualizado. Conforme é sugerido pela natureza mitológica do deus romano do oceano, Netuno (o Posseidon grego), este arquétipo está intimamente relacionado à água, seja o ambiente amniótico do útero, os líquidos corporais ou os rios, lagos e oceanos.

Plutão é o arquétipo da energia primordial – o princípio dinâmico por trás da criação, a força universal que impele a evolução na natureza e na sociedade humana (Kundalini Shakti), assim como a energia da destruição (Kali, a Deusa Mãe Devoradora). Ele rege os processos biológicos fundamentais de nascimento, sexo e morte, o processo transformador de morte e renascimento psicoespiritual e as forças instintivas no corpo e na psique (o id freudiano). Plutão reflete os elementos ctônicos, o submundo, seja no literal sentido físico (subsolo, infraestrutura da metrópole), no sentido metafórico (zonas de prostituição, crime organizado), no sentido psicológico (inconsciente) ou no sentido arquetípico-mitológico.

Em relação ao processo de nascimento e sua contraparte psicoespiritual, o processo de morte-renascimento, Plutão corresponde ao estágio em que o bebê é vigorosamente expelido para fora do corpo da mãe e experiencia uma luta entre vida e morte no canal de parto. Nesse momento, estão sendo desencadeadas energias físicas poderosas e energias instintivas intensas (libidinais e agressivas). Mitologicamente, Plutão (o Hades grego) é o deus greco-romano do submundo. Quando Plutão forma um aspecto com outro planeta, ele tende a intensificar e dar forças ao arquétipo desse planeta a tal ponto que se torna uma influência importante ou até mesmo uma força compulsiva na vida da pessoa. Isso pode levar a várias lutas e conflitos de poder, mas também a uma profunda transformação.

Além das específicas características individuais dos arquétipos associados aos dez planetas, os astrólogos também se interessam pelos aspectos – as relações angulares dos planetas no mapa natal – e pelos trânsitos, as relações angulares que se formam durante a vida da pessoa entre posições mutáveis dos planetas e suas posições na hora do nascimento. Dependendo da natureza das relações angulares dos planetas envolvidos, os aspectos e trânsitos refletem interações harmoniosas ou desafiadoras entre os arquétipos correspondentes.

O mapa natal mostra a configuração arquetípica geral que governa nossa personalidade e nossa vida como um todo. Ela indica em que área podemos esperar tensões e atritos entre os princípios arquetípicos envolvidos ou, inversamente, cooperação harmoniosa entre els. Contudo, o horóscopo natal permanece o mesmo por toda a vida da pessoa e não nos dá, em si e por si, qualquer informação sobre as mudanças por que passamos em vários estágios e períodos de nossa vida. Como sabemos, há diferenças de grandes proporções na qualidade da nossa experiência de vida a cada ano que passa, a cada mês, ou até mesmo a cada dia. A astrologia sugere que as mudanças nas áreas arquetípicas que governam nossa vida no decorrer do tempo estão correlacionadas com os movimentos dos planetas e deste modo podem ser prognosticadas. Estas correlações são o tema de um ramo da astrologia denominado astrologia de trânsito.

A astrologia de trânsito propõe que o desenrolar específico dos potenciais embutidos no mapa natal é governado pelos trânsitos planetários, isto é, pela relação entre as posições atuais dos planetas em qualquer momento determinado e suas posições no horóscopo natal. A complexidade e a natureza dinâmica das relações resultantes é notável e pode ser usada como um sistema de referência com definições bastante claras. Ao contrário de algumas abordagens convencionais – tais como testes psicológicos tradicionais -, ela sem dúvida combina a natureza mercuriana da nossa experiência diária, assim como com a riqueza e a variedade do conteúdo dos estados holotrópicos de consciência.

A duração dos trânsitos depende das orbitas e da velocidade dos planetas envolvidos. Desta maneira, as previsões de influências arquetípicas sobre os aspectos humanos, com base nos trânsitos, podem ser feitas por períodos que vão desde poucas horas (Lua) e dias (Sol, Mercúrio, Vênus, Marte) a vários meses ou até mesmo anos (planetas externos). São os trânsitos dos planetas externos – Saturno, Urano, Netuno e Plutão – que tem o maior significado quanto às influências que dão forma à nossa vida e principalmente à dinâmica do nosso desenvolvimento psicoespiritual e nossa evolução de consciência.

A qualidade de interação mútua entre dois ou mais arquétipos planetários é descrita por suas relações angulares (medidas em graus de longitude celestial pela extensão da eclíptica). Geralmente, quanto mais exata for esta relação, mais pronunciada será a relação arquetípica. O caráter dessas relações baseia-se nos princípios formulados por Pitágoras em sua teoria de números e música. Os aspectos mais importantes são obtidos dividindo-se o círculo de 360º pelos números inteiros 1,2,3,4 3 6, respectivamente. A qualidade dos aspectos é então definida nos termos do significado pitagórico dos números correspondentes. 

A conjunção (aproximadamente 0º) caracteriza-se por uma poderosa fusão dos dois arquétipos planetários envolvidos, incluindo seus potenciais positivos assim como os negativos. A oposição e a quadratura (180º e 90º) representam uma interação desafiadora e muitas vezes conflituosa (‘difícil’), enquanto o trígono e o sextil conduzem a uma interação harmoniosa e fluida (‘suave’). Outra importante situação que une influências arquetípicas é o ponto médio – esta é uma expressão usada quando um planeta está posicionado exatamente a meio caminho entre dois outros.

Há muitas outras variáveis utilizadas na prática da astrologia, tais como as posições dos planetas nos signos do zodíaco e nas “casas”, que dividem o mapa em doze segmentos de trinta graus com significados específicos. Também é possível usar várias outras técnicas de prognóstico – progressões, direções de arco solar, retornos solares e lunares, harmônicas, astro-cartografia, entre outras. Contudo, o sistema que esbocei resumidamente acima já é suficiente para fornecer previsões extraordinariamente específicas e precisas sobre muitos aspectos diferentes da existência. Como os arquétipos junguianos, ele pode ser usado para uma compreensão mais profunda dos indivíduos, suas personalidades, padrões de comportamento e o desdobramento de suas vidas, assim como para movimentos culturais e acontecimentos históricos envolvendo grandes números de pessoas.

É importante compreender que a astrologia só pode ser usada para fazer prognósticos arquetípicos e não previsões de situações concretas específicas. Ela pode descrever quais qualidades arquetípicas ou princípios universais irão operar em um determinado momento, indicar a natureza de sua interação e especificar sua relação com o mapa natal do indivíduo. Por mais notáveis que possam ser tais previsões, sua extensão geral deixará espaço suficiente para a criatividade cósmica expressar esse potencial arquetípico na forma de acontecimentos e comportamentos concretos específicos. Nem mesmo o melhor astrólogo será capaz de ler com absoluta certeza, a partir de um mapa, que em determinado dia seremos contratados para um emprego específico, perderemos dinheiro no mercado financeiro, encontraremos nossa alma gêmea, ganharemos na loteria ou seremos presos.

Quando usamos a astrologia no trabalho com estados holotrópicos, a complexidade das interpretações aumenta de acordo com o número de trânsitos planetários que estejam acontecendo na mesma época e com o número de planetas envolvidos neles. Em muitos casos, dois ou mais trânsitos importantes podem operar simultaneamente e suas energias podem estar em conflito entre si. Neste contexto, só posso dar alguns exemplos gerais do potencial de previsões dos trânsitos para os estados holotrópicos. Uma interpretação completa exige que um astrólogo experiente avalie uma situação específica e olhe o mapa natal e os trânsitos como um campo unificado e uma Gestalt integral.

O que são estados holotrópicos de consciência. Vídeo com Grof criador do termo.

O que são os estados holotrópicos? Stanislav Grof Vídeo (subtítulos em espanhol) clicar em legenda, abaixo a direita.

Fonte: Texto extraído e adaptado do capítulo 9 Psique e cosmo, do livro “Psicologia do Futuro” de Stanislav Grof. Ed. Heresis - Transpessoal.

Yama - A Roda da Vida
Uma representação simbólica que revela a natureza e causas do samsara, o ciclo de sofrimento, as duas primeiras nobres verdades - os verdadeiros sofrimentos e as verdadeiras origens - e o caminho completo para a libertação.

A Roda da Vida está desenhada entre as garras de Yama, o Senhor da Morte, para nos lembrar da impermanência e para mostrar que não existe um único ser dentro da Roda que esteja fora do controle da morte. Yama segura a Roda na boca e a abraça com suas garras, indicando que todos os seres vivos passam repetidamente pelas mandíbulas da morte.
Do lado de fora da Roda Buda está em pé apontando para a lua, o que mostra que os Budas estão fora do samsara, pois se libertaram dele ao abandonar os caminhos samsáricos e ao conquistar verdadeiros caminhos. A lua representa as verdadeiras cessações. Buda aponta para a lua e diz: "Viajei pelos caminhos da libertação e atingi a cidade da libertação".

Sob o diagrama, Buda escreveu a seguinte estrofe:

Esforça-te para destruir o ciclo de sofrimento
Ingressa no caminho à libertação
Abandona todas as delusões
E aprende a estimar os outros

Astrologia Psicológica - Transformar Naturalmente
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Heráclito Antunes da Silveira
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